Brasil é o 5º maior mercado de cripto do mundo. E a América Latina está dominando o ranking global

Brasil é o 5º maior mercado de cripto do mundo. E a América Latina está dominando o ranking global

Você provavelmente acompanha os grandes dados globais de cripto pelos relatórios americanos, pelos ETF americanos, pelas notícias de Wall Street.

Faz sentido. O dinheiro institucional está lá.

Mas quando o TRM Labs publicou na última segunda-feira, 6 de abril, seu índice global de adoção de cripto, o número que mais chamou atenção não foi dos Estados Unidos.

Foi do Brasil. Quinto lugar no mundo.

O que o relatório diz

O TRM Labs avalia adoção com base em volume de transações on-chain ajustado por população e capacidade econômica do país. A metodologia mede uso real, não especulação ou custódia institucional.

Os cinco maiores mercados globais de cripto segundo o índice são, nessa ordem: Índia, Estados Unidos, Paquistão, Filipinas e Brasil.

A América Latina não parou no quinto lugar. Venezuela aparece na décima primeira posição. Argentina, na décima oitava. México, na décima nona. Colômbia, na vigésima segunda.

Cinco países latino-americanos no top 25 mundial. Em nenhum outro relatório de adoção de cripto dos últimos anos a região tinha aparecido com essa concentração.

Por que o Brasil está entre os cinco maiores do mundo

A resposta curta: stablecoins.

O Brasil movimentou mais de 319 bilhões de dólares em transações cripto durante 2025. A maior parte desse volume não foi especulação em altcoins ou compra de Bitcoin. Foi transação em USDT e USDC.

Isso tem uma lógica direta. O PIX facilitou o onboarding digital no país inteiro. Qualquer pessoa com celular e CPF já está habituada a transferir dinheiro instantaneamente. O passo para usar USDT não é técnico, é cultural. E parte da população já deu esse passo como proteção contra a desvalorização do real.

Do lado regulatório, o Banco Central publicou as resoluções 519, 520 e 521 em fevereiro deste ano. As exchanges têm até outubro de 2026 para obter autorização formal. O framework clarificou as regras do jogo, o que aumentou o apetite das grandes plataformas para expandir no país.

O resultado é visível nos dados: 22 ETFs de cripto ativos no Brasil, com mais de 568 milhões de dólares em inflows só na semana de 28 de março a 5 de abril.

Por que Venezuela e Argentina estão tão bem ranqueadas

A resposta para os dois países tem o mesmo nome: inflação.

A Venezuela opera sob um sistema econômico onde a moeda local perdeu praticamente toda função de reserva de valor. O dólar americano circula informalmente há anos. O USDT foi o passo lógico seguinte: tem a estabilidade do dólar, sem precisar de conta bancária americana.

A Argentina tem o mesmo padrão, em graus distintos. A inflação dos últimos anos destruiu a confiança no peso. O mercado de câmbio múltiplo criou um paralelo informal que coincide com o preço do USDC no P2P. A adoção de cripto não foi motivada por especulação. Foi motivada por sobrevivência financeira.

O governo Milei, alinhado com um discurso de desregulamentação, não reverteu esse comportamento. Apenas deixou de reprimir. O resultado é uma taxa de adoção estimada em 20% da população adulta, a maior da LATAM.

O número que mais importa para o investidor

O volume total da América Latina em 2025 foi de 730 bilhões de dólares em transações cripto, crescimento de 60% em relação a 2024.

Esse crescimento não está acontecendo num vácuo. Está acontecendo em paralelo com regulação avançando (Brasil, México, Colômbia), com fintechs expandindo (Revolut acabou de obter licença bancária no Peru), com stablecoins ganhando uso cotidiano.

O ciclo que o mercado americano demorou uma década para construir, a América Latina está comprimindo em três a cinco anos. As condições são diferentes, os motivadores são locais, mas o destino é o mesmo: uma região com dezenas de milhões de pessoas usando criptoativos de forma ativa.

O que o relatório não diz mas é importante saber

O TRM Labs é uma empresa de compliance. O relatório foi escrito com foco em risco e regulação, não para celebrar adoção.

Os dados sobre Venezuela e Argentina, por exemplo, vêm acompanhados de alertas sobre lavagem de dinheiro, cartéis usando P2P para mover capital, e volume de transações em stablecoins sancionadas. Volumes altos de adoção numa região com economia informal elevada são, do ponto de vista regulatório, um problema que precisa ser gerenciado.

O relatório estima que os fluxos ilícitos em cripto globalmente chegaram a 158 bilhões de dólares em 2025. A LATAM aparece como região de atenção em compliance.

Isso não muda o dado de adoção. Mas quem investe na região precisa entender que regulação mais rigorosa virá. O Brasil já começou. México e Colômbia estão avançando. A pergunta não é se vai vir, é qual o ritmo.

O que observar nos próximos meses

O prazo de outubro de 2026 para licenciamento de exchanges no Brasil vai criar pressão. Plataformas menores vão sair do mercado ou ser absorvidas. As que ficarem vão ter mais credibilidade com usuário e parceiro financeiro.

A Mercado Libre descontinuou o Mercado Coin essa semana e está pivotando para stablecoin própria. A Revolut está chegando no Peru. Quando grandes plataformas de tecnologia enxergam um mercado assim, costumam chegar juntas.

A LATAM ficou cinco anos sendo a região "emergente" que todo relatório mencionava no rodapé. Com Brasil em quinto lugar no ranking global, esse status mudou.


LATAM Alpha cobre o que importa para o investidor cripto na América Latina, antes de todo mundo.

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