Em 30 segundos
- Os financiamentos de veículos originados no segundo trimestre somaram US$ 211 bilhões, recorde nominal da série do Fed de Nova York, enquanto saldos de cartões e automóveis cresceram.
- A parcela de toda a dívida em algum estágio de atraso recuou de 4,8% para 4,7%. O fluxo anualizado para atraso grave ficou quase estável em cartões e financiamentos de veículos.
- O gasto por domicílio ativo com cartões do Bank of America cresceu 5% em julho. O CPI veio em linha, com cheio de 0,1% no mês e 3,4% no ano, e núcleo de 0,2% e 2,5%. O emprego continua sendo o próximo teste.
O consumidor americano tomou US$ 211 bilhões em novos financiamentos de veículos no segundo trimestre de 2026, maior valor nominal da série do Federal Reserve de Nova York. Os saldos de cartões cresceram US$ 21 bilhões, os de automóveis avançaram US$ 28 bilhões e as linhas com garantia imobiliária aumentaram US$ 13 bilhões.
O volume maior não veio acompanhado por uma nova onda ampla de atrasos. A parcela da dívida em algum estágio de inadimplência caiu de 4,8% para 4,7%. Em julho, o gasto com cartões do Bank of America continuou crescendo e o CPI veio em linha com o consenso, sem reaceleração ampla.
A leitura escolhida é direta: o consumidor resistiu, enquanto a inflação não reacelerou amplamente. Isso afasta uma quebra imediata do consumo, mas não elimina o risco. Se a fraqueza das contratações persistir, saldos maiores podem exigir provisões e reduzir o gasto.
O carro puxou a expansão do crédito
O Fed de Nova York informou que a dívida total terminou junho em US$ 18,771 trilhões, US$ 13 bilhões abaixo do primeiro trimestre. O recuo refletiu uma mudança no reporte de hipotecas e deve ser compensado na próxima leitura, segundo pesquisadores citados pela Reuters. Não indica desalavancagem ampla.
Fora das hipotecas, as principais linhas cresceram:
| Indicador | Segundo trimestre de 2026 |
|---|---|
| Novos financiamentos de veículos | US$ 211 bilhões |
| Saldo de financiamentos de veículos | US$ 1,713 trilhão, +US$ 28 bilhões |
| Saldo de cartões | US$ 1,263 trilhão, +US$ 21 bilhões |
| Saldo de linhas com garantia imobiliária | US$ 459 bilhões, +US$ 13 bilhões |
Fonte: Fed de Nova York. Variações de saldo em relação ao primeiro trimestre. O recorde de originação de veículos é nominal, sem ajuste pela inflação.
Os US$ 211 bilhões superaram os cerca de US$ 200 bilhões de 2021, mas o recorde é nominal e mede o valor financiado, não compradores ou veículos.
Alguns proprietários preservam hipotecas antigas e baratas enquanto tomam uma linha separada contra o patrimônio da casa. O contrato original continua, mas nasce uma dívida mais sensível aos juros atuais.
O fluxo para atraso grave segue alto, mas quase estável
A soma móvel de quatro trimestres da entrada em inadimplência grave, definida como pelo menos 90 dias de atraso, pouco mudou nos produtos mais ligados ao consumo. Nos cartões, passou de 6,93% no segundo trimestre de 2025 para 6,97% no mesmo período de 2026. Nos financiamentos de veículos, avançou de 2,93% para 3%.
| Entrada em atraso grave | 2º tri. de 2025 → 2º tri. de 2026 |
|---|---|
| Cartões | 6,93% → 6,97% |
| Financiamentos de veículos | 2,93% → 3,00% |
Fonte: Fed de Nova York. A taxa é uma soma móvel de quatro trimestres. Em cada trimestre, o saldo que passou a 90 dias ou mais de atraso é dividido pelo saldo que estava adimplente ou com menos de 90 dias de atraso no trimestre anterior.
Esses níveis não são confortáveis. A análise anterior sobre cartões mostrou que quem financia a fatura ainda enfrenta juros superiores a 22% ao ano. A leitura nova mostra, porém, que o fluxo de saldos de cartões para atraso grave, embora elevado, ficou quase estável desde 2024.
Um estudo do Fed de Nova York explica por que algumas medidas parecem piores. Dívidas antigas, já baixadas para prejuízo, permanecem nos registros e elevam o estoque de atrasos. Isso não prova aumento recente do fluxo para inadimplência grave, que continua elevado, perto de 7%, mas quase estável desde 2024.
O gasto resistiu além do financiamento
O crédito não cresceu sozinho. O Bank of America Institute informou que o gasto com cartões de crédito e débito por domicílio ativo em sua base subiu 5% em julho sobre um ano antes. Excluindo gasolina, a alta foi de 4,3%.
Parte da desaceleração frente aos 6,3% de junho parece decorrer de promoções online antecipadas e do arrefecimento após o provável pico do gasto ligado à Copa do Mundo. Ajustado por sazonalidade, o gasto mensal caiu 0,2%, depois de subir 0,6% em junho.
Os dados sugerem mais famílias pagando a fatura integralmente e pouco sinal de aceleração no uso da poupança. A métrica cobre domicílios ativos com pelo menos cinco transações mensais, exclui cartões corporativos e não representa todo o país.
Na média móvel de três meses, o gasto de famílias de renda baixa cresceu 5,4% em um ano, próximo aos 4,9% da renda média. Entre os 5% de maior renda, parte da força pode ter vindo da bolsa.
O CPI aliviou; o emprego virou o teste
O BLS informou que o CPI de julho subiu 0,1% no mês e 3,4% em 12 meses. O núcleo avançou 0,2% e 2,5%, respectivamente. As quatro leituras igualaram o consenso da Reuters: surpresa de zero ponto percentual nos números arredondados.
A composição também aliviou. Moradia subiu 0,1% no mês e 3,2% no ano; serviços sem energia avançaram 0,2% e 3%; energia caiu 1,5% no mês, embora ainda acumulasse alta de 14,7% em 12 meses. Gasolina recuou 2,9%. Moradia respondeu por cerca de dois terços da alta mensal do índice cheio.
Nas cotações de um minuto do Yahoo Finance, a reação inicial entre 8h30 e 8h36 de Nova York foi pequena: o Treasury de dez anos foi de cerca de 4,65% para 4,67%; o dólar primeiro subiu e depois ficou abaixo do nível pré-dado; e os futuros do S&P 500 caíram no primeiro minuto antes de recuperar quase toda a perda. Foram movimentos intradiários rapidamente revertidos, não uma tendência de fechamento.
Para o Fed, o CPI em linha reduz o risco de aperto urgente, mas não decide setembro. A energia ainda cara e o consumo resistente permitem esperar; o emprego fraco pede cautela com nova alta. O PCE de julho sai em 26 de agosto, o payroll de agosto em 4 de setembro e o CPI de agosto em 11 de setembro, antes da reunião de 15 e 16 de setembro.
O risco para o crédito ganhou peso depois que a estimativa inicial do payroll apontou queda de 23 mil vagas em julho. Um mês negativo não prova recessão, mas reduz a margem de famílias que financiaram carro, casa ou fatura contando com renda estável.
A tese ganha força se gasto, renda e pagamento integral da fatura continuarem avançando sem alta das novas entradas em atraso. Ela perde força se o payroll seguir negativo, bancos elevarem provisões e as entradas em atraso grave romperem a estabilidade observada desde 2024.
O consumidor americano ainda não quebrou sob o crédito caro. Agora importa por quanto tempo o emprego permite pagar.
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