Mineradores de Bitcoin estão largando tudo pra virar empresas de AI

Mineradores de Bitcoin estão largando tudo pra virar empresas de AI

O hashrate do Bitcoin caiu no Q1 de 2026. Primeira vez em 6 anos.

Não por regulação. Não por ataque. As maiores mineradoras do mundo simplesmente decidiram que tem coisa melhor pra fazer com aqueles galpões cheios de máquinas. Estão desligando ASICs e ligando servidores de inteligência artificial.

E quando você vê os números, é difícil culpar elas.


A conta não fecha mais

Minerar 1 Bitcoin no Q1 de 2026 custou em média US$ 90 mil.

O Bitcoin estava a US$ 66-70 mil.

Ou seja: mineradores públicos perderam entre US$ 10 mil e US$ 19 mil por unidade minerada. Pagar pra trabalhar.

Agora compara: AI rende US$ 200-500 por megawatt de capacidade computacional. Mineração? US$ 57-129 pelo mesmo megawatt.

Mesma infraestrutura. Mesmos galpões. Mesma energia. Só que um negócio dá prejuízo e o outro paga 3-4x mais.


US$ 70 bilhões em contratos já assinados

Isso não é uma tendência incipiente. É uma corrida.

Os deals que já foram fechados:

  • IREN: US$ 9,7 bilhões com a Microsoft
  • Hut 8: US$ 7 bilhões com o Google
  • Core Scientific: US$ 9 bilhões, adquirida pela CoreWeave. Tá vendendo Bitcoin pra financiar a mudança.
  • Cipher Mining: cortou 51% do hashrate. Redirecionou tudo pra infraestrutura de AI.

Segundo a CoinShares, 70% da receita das mineradoras públicas vai vir de AI até o final de 2026. No ano passado era 30%.


O que sobrou do hashrate

Os dados pintam um cenário claro:

O hashrate caiu ~4% no ano, saindo de máximas acima de 1,2 ZH/s pra algo entre 900 EH/s e 1 ZH/s. A dificuldade teve ajustes negativos consecutivos: -7,76% em março, -8% em abril.

Em janeiro a queda chegou a 40% dos picos de outubro, entre o pivot pra AI, tempestades nos EUA e restrições na China.

O Bitcoin lida com isso sozinho. Quando mineradores saem, a dificuldade cai e quem fica fica mais lucrativo. Funcionou quando a China baniu 50% do hashrate em 2021. Vai funcionar de novo.

A diferença é que em 2021 mineradores saíram por imposição do governo. Agora estão saindo por vontade própria, porque acharam algo que paga melhor. Isso é mais difícil de reverter.


LATAM: a ficha que ninguém está vendo cair

Os americanos estão abandonando a mineração de Bitcoin. Ótimo. Porque a América Latina tem exatamente o que sobrou de vantagem competitiva nesse jogo.

O raciocínio: mineradoras nos EUA desligam ASICs e ligam GPUs pra AI. Dificuldade de mineração cai. Quem tem energia barata de repente fica muito mais competitivo.

E quem tem energia barata?

Paraguai tem hidrelétrica a US$ 0,03/kWh graças à Itaipu. O custo de mineração cai pra US$ 30-40 mil por Bitcoin. Lucrativo mesmo com BTC a US$ 66K.

Argentina pós-Milei tem liberalização cambial, energia nuclear e o gás de Vaca Muerta. Mineradoras já estão expandindo na Patagônia.

El Salvador tem incentivos fiscais pra Bitcoin e energia geotérmica de vulcão. Bukele tá recrutando mineradores que saem dos EUA.

Enquanto os americanos correm atrás de GPU pra rodar modelo de linguagem, LATAM pode se tornar o novo heartland da mineração de Bitcoin.


O que isso faz com o preço

Primeiro: menos mineradores significa menos gente vendendo Bitcoin todo dia pra pagar conta de luz. Pressão vendedora cai.

Segundo: o hashrate tá migrando dos EUA (42% do total no Q1) pra regiões com energia barata. Se LATAM absorver essa diferença, o Bitcoin fica mais descentralizado. Boa notícia.

Terceiro, e talvez o mais interessante: o Crypto Twitter inventou um nome pra isso. "Electron fork". A eletricidade vai pra quem paga mais. Hoje AI paga mais. Mas se o Bitcoin passar de US$ 90-100K, o fluxo pode inverter. Mineradores que ainda têm infraestrutura vão religar tudo.

O preço de equilíbrio entre Bitcoin e AI pelo mesmo megawatt é a métrica mais importante que ninguém tá acompanhando.


O que acompanhar nas próximas semanas

Hashrate semanal no Cambridge CBECI. Se continuar caindo, o êxodo acelera.

Ajustes de dificuldade. Negativo = mais gente saindo. Positivo = recuperação.

Expansão em LATAM. Qualquer mineradora grande abrindo operação no Paraguai, Argentina ou El Salvador confirma a tese.

Novos contratos de AI. Cada deal bilionário que uma mineradora fecha com big tech é hashrate que não volta pro Bitcoin tão cedo.

BTC vs custo de mineração. Quando Bitcoin passar de US$ 90K, os incentivos mudam. Até lá, o êxodo continua.


Mineração de Bitcoin tá passando pela maior reestruturação desde a China bater o martelo em 2021. Só que dessa vez não foi um governo que decidiu. Foi o mercado.

LATAM tem a chance de virar protagonista. Energia barata, regulação favorável (em alguns países), e uma janela de oportunidade que não vai durar pra sempre.


Dados: CoinShares Q1 2026 Mining Report, Cambridge CBECI, Glassnode Hashrate Analytics, CoinDesk Markets.

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