Stablecoins bateram US$ 322 bilhões enquanto o mercado entra em pânico

Stablecoins bateram US$ 322 bilhões enquanto o mercado entra em pânico

O Bitcoin fechou o primeiro trimestre de 2026 com queda de 22%. O Fear & Greed está em 8. Os liquidados somam centenas de milhões por semana. O sentimento geral é de capitulação.

E o supply total de stablecoins acabou de bater o maior valor da história: US$ 322 bilhões.

Esse número não aparece por acidente. Stablecoins não são compradas por pânico. São compradas por quem está esperando uma oportunidade.

O que está acontecendo com os números

Segundo o DefiLlama, o supply total de stablecoins em circulação cresceu US$ 8 bilhões durante o primeiro trimestre de 2026, atingindo US$ 315 bilhões em 31 de março. Na primeira semana de abril, mais US$ 2 a 3 bilhões entraram, levando o total para os US$ 322 bilhões reportados pela KuCoin em 7 de abril.

Esse é o maior nível já registrado. Maior que o pico de 2021. Maior que qualquer momento do bull market de 2024.

O USDT lidera com US$ 196 bilhões em circulação. O USDC cresceu US$ 4,5 bilhões só neste ano. Mas o dado que importa não é qual stablecoin está crescendo. É o que esse crescimento significa no contexto atual.

O que stablecoins em recorde significam quando o mercado está em queda

Stablecoins são dinheiro parado na beira da piscina.

Quando alguém compra USDT ou USDC, está fazendo uma de duas coisas: saindo de uma posição volátil para proteger capital, ou entrando no ecossistema cripto com capital novo que ainda não foi alocado.

Em ambos os casos, o dinheiro não saiu. Ele está sentado dentro do sistema, denominado em dólar, esperando.

A diferença entre 2022 e agora é essa. No bear market de 2022, o supply de stablecoins caiu junto com tudo. De US$ 180 bilhões para US$ 120 bilhões em meses. O capital estava saindo de verdade.

Em 2026, o contrário está acontecendo. O preço dos ativos caiu, mas o capital dentro do sistema aumentou. Isso cria uma pressão compradora potencial que não existia nos ciclos anteriores de medo extremo.

Quem está comprando stablecoins agora

Três grupos.

Instituições que estão acumulando posição. Os ETFs de Bitcoin no Brasil somaram mais de US$ 568 milhões em inflows numa única semana em abril. A MicroStrategy segue comprando. O dinheiro institucional não opera com emoção, opera com tese. E a tese não mudou.

Fintechs e empresas de pagamento que estão expandindo operação com stablecoins. O PYUSD do PayPal está em 70 países. A Mercado Libre está pivotando para stablecoin própria depois de fechar o Mercado Coin. O uso comercial de stablecoins não depende do preço do Bitcoin, depende de demanda por dólar digital.

E a América Latina. O volume de stablecoins na região foi de US$ 319 bilhões em 2025, com o Brasil na liderança. A Argentina tem a maior adoção per capita de stablecoins do mundo. A Bolívia legalizou stablecoins como proxy para dólar depois de anos de escassez cambial.

Nesses mercados, comprar USDT não é uma jogada especulativa. É proteção contra moeda local.

O que o Tesouro americano acabou de fazer

Na última semana, o Departamento do Tesouro dos EUA publicou novas diretrizes para emissores de stablecoins. Emissores com menos de US$ 10 bilhões em reservas terão regras específicas de AML e auditoria. Emissores maiores enfrentam escrutínio ainda mais rigoroso.

Isso está acontecendo dentro do processo legislativo do GENIUS Act, que avança no Senado com apoio bipartidário. A OCC também está envolvida, com rascunho de regras que proibiriam pagamento de rendimento sobre stablecoins para emissores menores.

Para a América Latina, a regulamentação americana de stablecoins tem efeito direto. O USDT e o USDC são emitidos nos EUA. Qualquer mudança nas regras afeta quem usa essas moedas em Buenos Aires, São Paulo ou Bogotá.

A padronização é positiva a longo prazo: dá segurança jurídica ao instrumento. A curto prazo, emissores menores podem sair do mercado, concentrando o supply em Tether e Circle.

O que os dados sugerem

Existe um padrão que aparece em todo ciclo de mercado cripto: antes de grandes movimentos de preço para cima, o supply de stablecoins aumenta. O capital se posiciona antes de alocar.

Em outubro de 2023, o supply de stablecoins começou a subir três meses antes do Bitcoin sair de US$ 25 mil para US$ 70 mil. Em julho de 2020, o mesmo padrão precedeu a corrida de US$ 10 mil para US$ 60 mil.

Correlação não é causalidade. O mercado pode continuar caindo. Tensões geopolíticas, decisões do Fed, regulação inesperada, tudo isso pode manter os preços baixos.

Mas o dinheiro dentro do sistema está no maior nível da história. Alguém está se posicionando. Os dados não dizem quando o movimento acontece. Dizem que o capital para financiar esse movimento já está lá.


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