Um ano das tarifas de Trump. O Fear & Greed chegou a 8. Os dados dizem o que vem a seguir.

Um ano das tarifas de Trump. O Fear & Greed chegou a 8. Os dados dizem o que vem a seguir.

Há exatamente um ano, em 2 de abril de 2025, Donald Trump subiu ao púlpito na Casa Branca e anunciou tarifas recíprocas sobre praticamente todos os países do mundo. A imprensa chamou de "Liberation Day." O S&P caiu 10% em dois dias. O Bitcoin foi de US$ 82 mil para US$ 66 mil em semanas.

Hoje, 6 de abril de 2026, o Bitcoin está em US$ 69 mil.

Quem vendeu no pânico em abril de 2025 ficou de fora da recuperação. E quem acompanha o Fear & Greed Index neste momento está vendo um número que, historicamente, precede algumas das melhores entradas do mercado.

O índice está em 8.


O que o índice de 8 significa

O Fear & Greed Index mede seis variáveis: volatilidade, volume de mercado, redes sociais, dominância do Bitcoin, tendências de busca e pesquisas de sentimento. Abaixo de 25 é "medo extremo." Abaixo de 15 é capitulação.

O mercado crypto acumula 46 dias consecutivos abaixo de 25. É o período mais longo de medo extremo desde o crash de 2022.

Esse número importa porque o índice existe para medir exatamente o que os humanos fazem mal: tomar decisões financeiras baseadas em emoção. Quando está em 8, o mercado está tecnicamente no pico do pânico.

E toda vez que chegamos aqui antes, o que aconteceu a seguir foi parecido.


Os três momentos anteriores

Setembro de 2022. Fear & Greed em 6. Bitcoin a US$ 19 mil, depois de cair 70% do topo. Todo o mercado dizia que iria para US$ 10 mil. Nos 12 meses seguintes: +100%.

Junho de 2022. Índice em 7, durante o colapso do Terra/Luna. Bitcoin a US$ 17 mil. Quem comprou então viu o ativo triplicar antes do próximo bear market.

Março de 2020. Pandemia. Índice em 8, Bitcoin a US$ 4 mil. Nos 12 meses seguintes: +900%.

Três momentos. Um padrão: o índice abaixo de 15 coincidiu com algumas das melhores entradas dos últimos cinco anos.


O que mudou em um ano

As tarifas de Trump que causaram o pânico de abril de 2025 foram declaradas ilegais pelo Supremo dos EUA em fevereiro de 2026. A alíquota efetiva caiu para cerca de 11%. O governo arrecadou US$ 151 bilhões, mas os empregos industriais prometidos não vieram. Pelo contrário: 100 mil postos foram perdidos.

Para o crypto, o balanço de um ano é interessante. O Bitcoin caiu no momento do anúncio e se recuperou. O dólar enfraqueceu 11% no período. Analistas do Harvard Economics e gestores institucionais passaram a citar cripto explicitamente como hedge para instabilidade de política comercial.

Whales acumularam 270 mil BTC nos últimos 30 dias. Os saldos em exchanges estão nos menores níveis em 7 anos. Franklin Templeton retomou compras. A MicroStrategy tem 762 mil BTC em carteira.

O mercado institucional não está vendendo. Está comprando.


O contexto LATAM que muda a equação

Enquanto o Ocidente debate recessão americana, o LATAM tem uma variável diferente.

Em mercados com inflação crônica como Argentina e Venezuela, o Bitcoin não compete com ações americanas. Compete com o peso argentino. Com o bolívar. Com moedas que perdem valor de forma estrutural todo ano.

Para esse público, esperar o "momento certo" tem um custo invisível: a desvalorização do dinheiro parado em fiat.

O volume crypto no LATAM foi de US$ 730 bilhões em 2025, alta de 63% ano a ano. O Brasil lidera com US$ 319 bilhões, principalmente em stablecoins. A Argentina tem a maior adoção per capita de stablecoins do mundo.

Parte desse volume é gerado em momentos como esse, quando o mercado americano entra em pânico e o investidor regional aproveita o preço.


O que os dados sugerem

Historicamente, o Fear & Greed abaixo de 15 por mais de 30 dias consecutivos ocorreu quatro vezes desde 2019. Em três delas, o Bitcoin estava significativamente mais alto 6 meses depois.

A quarta foi 2022, quando o mercado continuou caindo por mais alguns meses antes de recuperar.

A diferença entre os ciclos: o ambiente de 2026 é estruturalmente diferente de 2022. Há ETFs aprovados. Há empresas públicas comprando. Há clareza regulatória avançando nos EUA. O Supremo derrubou as tarifas mais extremas. O risco de cauda diminuiu.

Isso não garante nada. O mercado pode continuar caindo. Pode bater US$ 60 mil. Pode piorar.

Mas o padrão histórico, os dados de fluxo institucional e a estrutura do mercado apontam para a mesma direção: quem está com dinheiro parado há 46 dias esperando o medo passar provavelmente vai perder a entrada.


Um ano depois

Quando Trump anunciou as tarifas em abril de 2025, os analistas de cripto se dividiram em dois campos: os que viram como catástrofe e venderam, e os que viram como acelerador da adoção e ficaram.

Um ano depois, o Bitcoin está 5% acima do preço que tinha no dia do anúncio. O S&P ainda não recuperou completamente. O ouro bateu US$ 3.100. E o dólar perdeu 11% do valor.

A tese de que cripto funciona como reserva de valor fora do sistema tradicional ganhou evidências concretas em 12 meses.

O Fear & Greed em 8 não é a mesma coisa que em 2025, nem em 2022. Mas é o mesmo sinal de sempre: o mercado está no pico do desconforto.

Os dados estão aí. O que você faz com eles é com você.


Este artigo é para fins informativos e educacionais. Não constitui conselho de investimento. Faça sua própria pesquisa.

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