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Saques suspensos na Bitget expõem risco de acesso à cripto

A Bitget elevou o valor do ataque para US$ 387,5 milhões. A cobertura anunciada pela corretora não devolve automaticamente ao cliente a capacidade de sacar.

Porta fechada de um cofre metálico com símbolo de bitcoin, representando o acesso restrito a ativos em custódia.
Ilustração editorial gerada com IA sobre a restrição de acesso a ativos em custódia.

A Bitget, corretora de criptoativos, manteve os saques suspensos após um ataque identificado em 24 de setembro e anunciou uma retomada por etapas, começando pelo bitcoin em 28 de setembro. Na atualização de sexta-feira, 25, elevou para aproximadamente US$ 387,5 milhões o valor transferido a endereços controlados pelos invasores. Até a retomada, os clientes continuam sem poder retirar os ativos, mesmo com a empresa afirmando que cobre as perdas.

Essa diferença importa para quem usa uma corretora como reserva de liquidez. Um saldo exibido na conta pode continuar sujeito às oscilações do mercado enquanto está indisponível para pagamentos, transferências ou operações em outra plataforma. A capacidade de absorver um prejuízo e a de processar retiradas precisam ser avaliadas separadamente.

O valor mudou; a suspensão continuou

O primeiro comunicado estimava US$ 351,6 milhões afetados e informava que depósitos e negociação continuavam funcionando. A revisão incluiu transferências nas redes Zcash e TRON que ainda não haviam sido contabilizadas. Segundo a Bitget, a diferença não decorre de novas transferências indevidas.

Item Informação da companhia
Montante revisado Aproximadamente US$ 387,5 milhões transferidos aos invasores
Saques Suspensos; retomada por etapas prevista a partir de 28/09
Cobertura Cobertura pelo fundo de proteção, segundo a empresa

Fontes: comunicados da Bitget de 24 e 25 de setembro e cronograma de retomada. Situação consultada à 1h37 de Brasília, em 26/09/2026.

A companhia afirma ter corrigido a vulnerabilidade. O cronograma prevê BTC em 28/09, ETH em 29/09, USDT em 30/09 e demais tokens, moeda fiduciária e P2P em 02/10, sempre às 8h UTC. Para ETH e USDT, o comunicado especifica as redes contempladas. São datas anunciadas, ainda sem comprovação de saques processados.

Em declaração à Reuters na sexta-feira, a presidente-executiva Gracy Chen atribuiu a suspensão à precaução de segurança e negou falta de recursos. São afirmações da administração; o bloqueio, isoladamente, tampouco prova insolvência.

Cobertura financeira não elimina a espera

No anúncio inicial, a Bitget declarou um fundo de proteção superior a US$ 464 milhões. Sua página oficial apresenta o fundo em bitcoin e informa que pedidos de cobertura estão sujeitos à investigação e avaliação da empresa. O valor em dólares pode variar com a cotação do ativo.

Comparar esse valor com o montante transferido aos invasores não equivale a demonstrar dinheiro já desembolsado, recuperação dos ativos ou disponibilidade imediata para saques. A promessa de absorver a perda precisa ser acompanhada de execução e de informações atualizadas sobre os recursos de proteção.

Para pessoas e empresas com compromissos fora da corretora, a interrupção cria uma necessidade prática de liquidez em outro lugar. Quem mantém todo o capital operacional no mesmo custodiante pode ficar sem conseguir movê-lo quando precisa. Mesmo uma retomada sem perdas para clientes preservaria essa lição sobre concentração operacional.

O próximo teste é conseguir retirar

A normalização depende de saques efetivamente processados, por ativo e rede, e de explicações verificáveis sobre a correção. Demoras prolongadas ou revisões para cima do valor afetado agravariam o risco. Uma retomada estável reduziria a restrição de acesso, embora o ataque continue exigindo esclarecimentos.

Durante a espera, o cliente pode registrar saldos e movimentações, conferir os avisos no aplicativo e usar o verificador oficial de canais. Promessas de desbloqueio recebidas por mensagem privada exigem cuidado; nunca se deve fornecer senha, código de autenticação ou frase de recuperação para liberar um saque.

O alcance comprovado do episódio é uma falha de custódia com restrição de acesso. Atribuir a ela uma queda generalizada do bitcoin ou insolvência de outras plataformas exigiria evidência adicional. Para a carteira, o risco já observável está no capital que não pode ser transferido quando necessário.

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